No dia 13 de julho de 1889, foi publicada no jornal Mercantil (Petrópolis-RJ), a citação mais antiga de Pierre de Coubertin na imprensa brasileira:
Batei-vos, eu vol-o peço, o me-
nos possivel no physico, mas no
moral nunca vos batereis o quanto
baste. – P. de Coubertin.
Naquela época, Coubertin ainda não era conhecido como o restaurador dos Jogos Olímpicos, mas um jovem pedagogo francês profundamente preocupado com a reforma do sistema educacional de seu país. Ver suas ideias circulando na imprensa brasileira antes mesmo da fundação do Comitê Olímpico Internacional (1894) demonstra como o debate sobre a modernização pedagógica era global e como o Brasil estava atento às novas correntes de pensamento europeias.
No contexto brasileiro e europeu do final do século XIX, a frase ganha contornos específicos: a frase refleteria a influência do modelo britânico de educação (“Muscular Christianity”) na visão de Coubertin. Ele combatia a ideia de que o exercício físico era apenas “ginástica” mecânica ou, no outro extremo, violência bruta.
Ao distinguir o domínio físico do moral, Coubertin respondia a inquietações sobre os perigos da competição descontrolada e ao mesmo tempo afirmava o esporte como espaço de formação cívica. Em outras palavras, a prioridade atribuída ao “moral” refletia uma visão normativa: o esporte como instrumento de educação do caráter e dos costumes, que dialogava com as preocupações de ordem social e pedagógica da época.
A presença dessa ideia em 1889 confirma a continuidade temática na obra de Coubertin: o esporte nunca foi um fim em si mesmo, mas um meio para o aperfeiçoamento humano. A ideia de que “no moral nunca vos batereis o quanto baste” antecipa a filosofia do Citius, Altius, Fortius (Mais rápido, mais alto, mais forte), que foca não apenas em superar o adversário, mas em superar a si mesmo. Ele via a arena esportiva como um laboratório de caráter, onde a “batalha moral” era a busca incessante pela excelência e pela honra.
Em última análise, a presença dessa frase em um jornal de 1889 prova que a Chama Olímpica de Coubertin já ardia como uma proposta pedagógica muito antes de se tornar um espetáculo global.
Fonte: Hemeroteca Digital Brasileira (https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=376493&pesq=Coubertin&pasta=ano%20188&pagfis=4969)
