O Comitê Brasileiro Pierre de Coubertin (CBPC) dá prosseguimento à série mensal de matérias que trarão ao público traduções inéditas de escritos de Pierre de Coubertin. De abril de 2025 a março de 2026, diversos textos serão traduzidos para o português, resgatando o legado do fundador do Movimento Olímpico para as novas gerações de leitores e entusiastas do esporte.
O texto de hoje é apenas um trecho retirado de “Bons Points”, uma crônica elogiosa e bem-humorada sobre o progresso do futebol na França, datado de 21 de fevereiro de 1891. Escolhemos esse trecho por causa da época em que ele foi escrito por Coubertin: o Carnaval.
Segue o trecho:
Mas é que, na hora em que escrevo, ainda estamos no carnaval, e o carnaval dispõe à indulgência. Em breve será a quaresma, e eu lhes farei um sermão.
Pierre de Coubertin
In: Les Sports Athlétiques, 2e année, 21 février 1891, n.º 51, pp.2-3.
Ao entrelaçar a leveza do período carnavalesco ao rigor iminente da Quaresma, Coubertin — que era católico – estabelece uma analogia entre a liturgia religiosa e a pedagogia esportiva. A “indulgência” mencionada pelo barão não deve ser lida apenas como uma tolerância mundana, mas sim como um reflexo da indulgência cristã, um momento de graça, misericórdia e fraternidade que precede o sacrifício. Para Coubertin, os Jogos Olímpicos funcionam como esse grande “carnaval da juventude”, uma efusão festiva onde o Respeito mútuo e a Amizade universal prevalecem sobre as divisões sociais e políticas, permitindo que os povos se reconheçam como irmãos sob a égide da alegria compartilhada. Todavia, essa celebração não é um fim em si mesma, mas o prelúdio necessário para o “sermão” da Excelência: tal como a Quaresma exige o jejum e a disciplina da alma, o Olimpismo demanda do atleta a ascese do treinamento, a retidão moral e a busca incessante pelo aperfeiçoamento pessoal. Assim, a harmonia Olímpica equilibra-se entre o espírito festivo da juventude, que acolhe a todos com generosa indulgência, e a severidade do compromisso ético, lembrando que o pódio da vida exige tanto o abraço fraterno quanto a austeridade do dever cumprido.
(imagem da capa: olympics.com)
