Nova Acrópole e Comitê Brasileiro Pierre de Coubertin promovem pedalada de 12 km que une atividade física, reflexão filosófica e Valores Olímpicos pelas margens do Guaíba na capital gaúcha.
No último sábado (30), cerca de 45 participantes deixaram suas bicicletas falarem por eles e também pela filosofia. O Pedalar Filosófico tomou as margens do Guaíba em Porto Alegre para uma pedalada coletiva de 12 quilômetros que combinou atividade física, reflexão e convivência comunitária. O evento, realizado em alusão ao Dia Mundial da Bicicleta, celebrado mundialmente em 3 de junho, foi uma iniciativa conjunta da Escola de Filosofia Nova Acrópole, por meio da Escola do Esporte com o Coração, e do Comitê Brasileiro Pierre de Coubertin (CBPC), contando ainda com a participação dos cursos de Educação Física e de Fisioterapia da PUCRS.
A iniciativa também alcançou outras regiões e estados do Brasil, gerando momentos de pausa que permitiram reflexões sobre a importância da atividade física, da ocupação responsável dos espaços públicos e do bem-estar urbano. Entre pedaladas, conversas e encontros, o momento transformou o percurso em uma vivência coletiva marcada pelo diálogo e pela contemplação.
Do velódromo de Coubertin às ciclovias do Guaíba
A conexão entre pedalar e o Olimpismo não é nova. Em março de 1909, Pierre de Coubertin publicou o ensaio Le cyclisme aux Jeux Olympiques na Revue Olympique, no qual criticava o modelo competitivo que transformava ciclistas em máquinas a serviço das apostas, defendendo um ciclismo que valorizasse a iniciativa, a habilidade e a reflexão do atleta. O Pedalar Filosófico parece ter respondido ao chamado do Barão: longe dos velódromos, foi na estrada e às margens do Guaíba que o esporte reencontrou sua dimensão humana.
O Dia Mundial da Bicicleta foi proclamado pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 12 de abril de 2018, por meio da Resolução A/RES/72/272. A data reconhece a bicicleta como meio de transporte sustentável, limpo, acessível e ecológico, capaz de melhorar a saúde e a gestão ambiental, e incentiva eventos realizados em espírito de paz, tolerância e inclusão social. Esses princípios ecoam diretamente o que Coubertin almejava há mais de um século e orientaram cada pedalada do evento porto-alegrense.
PUCRS e extensão universitária na orla
A edição 2026 do Pedalar Filosófico contou com a participação inédita dos cursos de Educação Física e de Fisioterapia da PUCRS, reforçando a conexão entre universidade, comunidade e projetos voltados à promoção de valores humanos por meio do esporte e da educação. A presença acadêmica visa fortalecer a formação integral dos estudantes, conectada aos princípios da saúde, da cidadania, da sustentabilidade e da Educação Olímpica, além de representar uma oportunidade concreta de integração acadêmica e extensionista, aproximando o conhecimento universitário das experiências vividas na cidade.
A bicicleta como símbolo e como prática
Muito além da dimensão esportiva, o Pedalar Filosófico convida os participantes a refletirem sobre o sentido do movimento na experiência humana. Nesse contexto, a bicicleta surge não apenas como instrumento de deslocamento ou entretenimento, mas como uma representação de valores como equilíbrio, autonomia, simplicidade e integração entre indivíduo, cidade e meio ambiente. Guiado pelos princípios do Olimpismo e pela tradição filosófica que inspira o projeto, o evento recorda que pedalar também pode ser uma metáfora da própria existência: é o movimento contínuo que sustenta o equilíbrio e possibilita o avanço.
A expectativa dos organizadores é que o evento continue crescendo e reunindo participantes de diferentes idades em torno de uma prática saudável, sustentável e acessível. No horizonte, a celebração do Dia Mundial da Bicicleta em 3 de junho serve como convite permanente à reflexão sobre o papel do esporte, da filosofia e da educação na construção de uma sociedade mais humana e solidária, um legado que, de Coubertin à orla do Guaíba, segue pedalando.
(imagem de capa: arte sobre fotografia de Nova Acrópole/Divulgação)
